Dra. Eva Monica Sarmento da Silva- Professora e Coordenadora do Laboratório de Entomologia, Apicultura e Meliponicultora, Colegiado de Zootecnia, UNIVASF.

Dra. Tania Maria Sarmento da Silva- Professora e Coordenadora do Laboratório de Bioprospecção Fitoquímica, Departamento de Química, UFRPE.

Filhas de Zé Furtado e Maria José do Sítio riacho dos Xavier, Vieirópolis, Paraíba.

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro. Apresenta uma das características mais marcantes no período de seca: a “Mata Branca” e a formação vegetal xerófila, com raízes espalhadas para absorver o máximo de águas durante os períodos chuvosos, caules suculentos para o armazenamento de água e folhas pequenas que reduzem a transpiração. Embora apresente extrema importância para as condições naturais da região, a Caatinga vem sendo desmatada descontroladamente nos últimos anos.

Os fatores que promovem o desmatamento e agravam os processos de desertificação são bastante variáveis e decorrem principalmente da pressão antrópica sobre os recursos naturais acentuada pelas questões climáticas.

A falta de investimentos e a presença do Estado (tanto na permissão de atividades predatórias quanto na não fiscalização adequada de práticas ilícitas) é a principal causa do desmatamento da Caatinga, representando um enorme desafio para a atuação do Poder Público, principalmente no que diz respeito à articulação de ações e a implementação de soluções capazes de contribuir com a promoção do desenvolvimento socioeconômico da região.

Em 2013, o Relatório do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), afirmou que 71% do território paraibano sofre desertificação. Neste cenário, se considerarmos o município de Vieirópolis e divisa com os municípios de Sousa, observa-se a enorme área devastada com o desmatamento e desertificação.

Conter o processo acelerado de desmatamento e desertificação é uma necessidade urgente e pressupõe o desenvolvimento de ações para recuperar áreas degradadas, controlar e prevenir seu avanço, e intervir através de uma política de desenvolvimento sustentável: ambiental, econômico-social e científico-tecnológica.

Neste sentido, um programa de ação pode ser articulado em torno de um eixo temático com ampliação sustentável da capacidade produtiva na cadeia apícola/meliponícola, levando a conservação, preservação e manejo sustentável dos recursos naturais.

O objetivo é a criação de um planejamento que vise reduzir a degradação crescente da vegetação no entorno da cidade de Vieirópolis, levando em consideração as particularidades fitogeográficas da região.

Neste sentido, o município de Vieirópolis apresenta um grande potencial para apicultura (criação racional das abelhas Apis mellifera) e meliponicultora (criação de abelhas sem ferrão, nativas), devido a um conjunto de fatores, incluindo a diversidade florística com a presença de espécies nativas da região como jurema preta, jurema branca, marizeira, mofumbo, marmeleiro, catingueira, juazeiro, imburana de espinho, mussambê, velame, entre outras), que possibilita uma variedade de sabores, aromas e cores aos produtos apícolas e meliponícolas e valorização dos produtos no mercado.

A disponibilidade de mão de obra familiar, as caraterísticas climáticas da região, isentas de atividades agropecuárias tecnificadas (intensas) e a não utilização de agrotóxico nas plantações, oportuniza uma produção orgânica, que consegue alcançar grande aceitação e valor no mercado interno e externo.

Os produtos apícolas e meliponícolas são diversos e bastante apreciados tanto pelo mercado interno como externo. Além do mel orgânico produzido pelas abelhas com e sem ferrão, existem outros produtos bastante valorizados como a cera, própolis e o pólen apícola/meliponícola. Estes produtos podem ser utilizados nas indústrias alimentícias, cosméticas e farmacêuticas.

A apicultura e meliponicultura podem gerar renda ao criador o ano todo, devido à diversidade de serviços que as abelhas realizam. O apicultor/meliponicultor contribui para o desenvolvimento sustentável, visto que além de gerar renda, melhora a qualidade alimentar da família, reduz ou traz cautela no uso de agrotóxicos pelos criadores (uma vez que, usados de forma indevida, podem contaminar ou até matar as abelhas) e auxilia na conservação dos recursos naturais, através dos serviços de polinização. É uma atividade extremamente importante para evitar a degradação da Caatinga e do nosso sertão.

O investimento nestas atividades e em sua manutenção é baixo, quando comparados as demais atividades agropecuárias. Oferece a possibilidade aos apicultores terem outras fontes de renda dentro e fora da propriedade, pois não compete em recursos com atividades já existentes no espaço rural, além de não exigir tempo integral. A produtividade das colmeias está associada ao manejo adequado, às condições climáticas e ao pasto apícola/meliponícola da região. Esta atividade oportuniza a participação da mão de obra familiar, incluindo jovens e mulheres.