Todos nós recebemos educação, seja em casa ou na escola. Neste texto não vou falar da educação recebida em casa, que é muito importante por sinal, mas vou falar sobre a educação que recebemos na escola.

Lembro-me vivamente de alguns questionamentos que a maioria de meus colegas de classe na época do colégio costumavam fazer: “mas para que eu preciso aprender equação do 2º grau se eu não vou usar isso na minha vida?”ou “mas para que me serve literatura se eu não vou ser professor de português, nem escritor de romances?” ou ainda “de que adianta saber sobre aceleração se não serei físico?”.

Bem, eu faço essa pergunta aos leitores e moradores de Vieirópolis: para que nos serve tudo que aprendemos na escola? Simplesmente para nos garantir um emprego melhor no futuro? O caminho é mais ou menos este, mas existem mais questões envolvidas.

Alguns cientistas costumam dizer que existe uma divisão na ciência entre o que se chama “ciência básica” (português, matemática, biologia, física, história, etc.) e “ciência aplicada” (economia, medicina, administração, engenharia, direito, etc.). Uma depende da outra e as duas condicionam o nível de desenvolvimento de um país.

2 cienciasnaturais

Sem os conhecimentos das ciências básicas, não é possível desenvolver uma ciência aplicada de qualidade. Em outras palavras, sem pessoas que conheçam bem o português, a matemática, a física, a química, física, biologia etc, não é possível ter bons engenheiros, médicos, agrônomos, empresários, policiais, políticos etc. E assim, consequentemente, torna-se cada vez mais difícil criar um ambiente de desenvolvimento que melhore a qualidade de vida de todos os cidadãos.

Antes de prosseguir, vejamos alguns números importantes para esta reflexão:

2 Indicadores

  1. De acordo com Censo 2010 feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município de Vieirópolis tem aproximadamente 5.045 pessoas e 2.833 domicílios (o que dá, em média, 2 pessoas para cada casa);
  2. O Produto Interno Bruto Municipal de Vieirópolis (PIB-M, que é a soma de toda a produção do município) de 2012 foi de aproximadamente R$ 22.717.000,00 (não, eu não errei na quantidade de zeros; foi realmente pouco mais de 22 milhões de reais!);
  3. Importante ressaltar que a maior parcela desse valor vem dos serviços públicos (em outras palavras, dinheiro da prefeitura, ou de impostos ou de transferências do governo federal e estadual). Só de receitas correntes, o município de Vieirópolis prevê para este ano receber mais de R$ 14.747.762,00;
  4. Se todo o valor produzido em Vieirópolis fosse devidamente distribuído entre as pessoas, cada um receberia aproximadamente R$ 4.502,87. Esse número é chamado de PIB per capita, ou seja, a produção total do município que apresentamos acima dividido pelo número de habitantes;
  5. Mas de acordo com o IBGE, a renda média mensal dos moradores de Vieirópolis é de aproximadamente R$ 217,60;
  6. Complementarmente, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M, que mede o nível de qualidade de vida da população) é de 0,571. Como o índice vai de 0 a 1, isso significa que o desenvolvimento da região (que engloba o nível de renda, saúde e educação) é baixo (mas vale ressaltar que no ano 2000, o índice era de 0,378, ou seja, era péssimo, o que representa que houve alguma melhora);
  7. Agora, os dados finais que mais nos interessam para a reflexão deste artigo: das 5.045 pessoas de Vieirópolis em 2010, 2.472 tinham entre 0 e 24 anos e boa parte estava na escola; 3.045 pessoas tinham 25 anos ou mais e deste grupo, 1.224 pessoas não tinham nem o ensino fundamental completo. Isso representa pouco mais de 24%, quase ¼ da população de Vieirópolis!

A partir destes números, podemos tirar várias conclusões, mas duas delas são importantes:

  1. Boa parcela dos jovens adultos de Vieirópolis (25 anos ou mais) não está bem preparada para alcançar bons empregos;
  2. Boa parcela do dinheiro que entra no município de Vieirópolis contribuiu para a elevação do Índice de desenvolvimento Humano Municipal, mas ainda está muito abaixo do ideal.

A partir destas duas conclusões, eu sugiro mais uma reflexão: hoje o Brasil vive uma crise e a expectativa é que ela dure mais um ou dois anos. Assim, se as transferências federais e estaduais diminuírem ou acabarem, como será mantido o nível de vida da população, considerando que boa parcela dos jovens não está bem preparada?

Desse modo, voltamos à questão central acerca da importância da educação. Não se trata somente de conquistar um bom emprego, mas também de alcançar e manter um nível de qualidade de vida e desenvolvimento cada vez melhores. Com níveis educacionais cada vez melhores e consolidados alcançamos níveis culturais mais efetivos, melhoras na estrutura política e social do país, diminuímos a dependência que marca a nossa história enquanto nação, diminuímos a pobreza, dentre diversos outros ganhos.

Com o aprendizado em matemática consolidado, é possível que tenhamos engenheiros cada vez melhores para desenvolver uma infraestrutura de qualidade em Vieirópolis, na Paraíba e em todo o Brasil. Também é possível ter economistas cada vez melhores para contribuir mais positivamente para o desenvolvimento econômico. Com conhecimentos em biologia bem consolidados, teremos médicos cada vez melhores, biólogos cada vez mais bem preparados para lidar com os problemas ambientais cada vez mais complexos que forem surgindo. E por aí vai.

2 transformacao

Posto isso, acredito que precisamos lutar por uma educação transformadora. Uma educação que permita que todos nós possamos construir uma realidade diferente, um mundo melhor para nós mesmos, com menos problemas sociais, com menos pobreza. Mas que também permita que nós possamos nos tornar pessoas melhores, mais compreensivas, mas ao mesmo tempo críticas, que não “engole qualquer sapo”, nem se deixa levar por quaisquer promessas.

Espero que com essa breve análise, os leitores tenham em mente, de maneira mais clara, a importância da educação em nossas vidas. Qualquer dúvida, crítica e sugestão sobre este tema ou outros temas relacionados à economia, entre em contato pelo e-mail franklin@analiseeconomica.com.br ou visite o site www.analiseeconomica.com.br para acompanhar mais sobre economia.

Links para saber mais:

IBGE Cidades@ (informações sobre Vieirópolis) – http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=251720&search=paraiba|vieiropolis

Portal da transparência – http://www.vieiropolis.pb.gov.br/transparencia/

Educação para quê? – http://analiseeconomica.com.br/site/todo-mundo-fala-em-educacao-mas-para-que-afinal/

Produtividade da economia e salários – http://analiseeconomica.com.br/site/o-que-a-produtividade-da-economia-tem-a-ver-com-o-meu-salario/

Créditos das imagens (na ordem em que aparecem):

Educação e evolução – http://bit.ly/1PvIATU

Ciências – http://bit.ly/1Pxcbw5

Indicadores – http://bit.ly/1Jkwono

Transformação – http://bit.ly/1V8hZ2P