O Governo da Paraíba, por meio da Secretaria da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido do Estado, vai implantar mais de 2 mil barragens subterrâneas, beneficiando agricultores que vivem em cidades que tiveram estado de emergência decretado por conta do longo período de estiagem. As ações fazem parte do Programa Asa Branca – Plano Emergencial de Enfrentamento à Estiagem, lançado pelo governador Ricardo Coutinho, e que destinará mais de R$ 133 milhões às cidades atingidas pela seca.

De acordo com o secretário de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido, outras ferramentas de combate à estiagem, como as barragens subterrâneas, também serão implantadas, melhorando a vida de agricultores familiares em diversas regiões do Semiárido paraibano. “A determinação do governador Ricardo Coutinho é que, inicialmente, sejam implantadas duas mil barragens desse tipo para amenizar, consideravelmente, o drama de centenas de famílias afetadas pelo longo período de estiagem”, afirmou Lenildo Moraes.

Ainda de acordo com o secretário, além das duas mil barragens subterrâneas, os agricultores familiares vão dispor de mais 300 equipamentos deste tipo, construídos através do Procase, levando água a mais de 2.300 famílias. “Com a água, a partir dessas tecnologias sociais, podemos garantir a permanência das unidades familiares de produção durante o período de estiagem”, destacou, lembrando que o projeto de elaboração das barragens subterrâneas permitirá a construção de igual número de poços amazonas e de caixas d’água. “O poço serve para retirar a água armazenada na barragem, que pode ser utilizada para pequenas irrigações, possibilitando que as famílias produzam durante o ano inteiro”, acrescentou.

Uso racional

A recomendação do Governo do Estado é disponibilizar as barragens subterrâneas para irrigação de forragem. Outra recomendação é que os agricultores usem a água de forma racional, sem desperdício, e que repliquem as tecnologias em outras áreas. Com esse objetivo, o governador Ricardo Coutinho manteve, recentemente, reunião com representantes do Movimento Sem Terra (MST) e de outros movimentos sociais camponeses.

Na oportunidade, o Governo e representantes de movimentos firmaram parcerias para ampliação da construção de barragens subterrâneas, poços e cisternas para garantir a irrigação e também a abertura de diálogo com a iniciativa privada para o escoamento da produção agrícola dos assentamentos. O governador Ricardo Coutinho classificou as reivindicações dos representantes dos movimentos sociais justas e adiantou que muitas delas já foram executadas, como a criação da Secretaria de Agricultura Familiar e Desenvolvimento do Semiárido.

Barragens subterrâneas

As barragens subterrâneas funcionam da seguinte forma: durante o período seco, são instalados no leito de rios e riachos, barramentos com lonas plásticas enterradas no subsolo, para conter e armazenar a água no solo. É uma tecnologia relativamente simples e de fácil domínio, contudo, na fase de locação e instalação, é preciso observar alguns critérios técnicos.

Após a locação, é feita a escavação de uma vala perpendicular ao sentido da descida das águas até a profundidade onde se encontra a camada mais endurecida do subsolo, normalmente chegando até 4 metros de profundidade, a depender das condições do terreno, em extensões que variam de 30 a 100 metros, na qual é estendida uma lona plástica com 200 micras de espessura por toda a extensão da vala.

Feito isto, a vala é fechada com a própria terra originária da escavação. O plástico impermeável funciona no barramento e no armazenamento da água no subsolo, inclusive reduzindo os efeitos da evaporação. Desse modo, é gerada uma vazante onde a umidade do solo se prolonga por vários meses, permitindo que as agricultoras e os agricultores familiares possam cultivar e produzir alimentos com êxito, mesmo em períodos de estiagem e seca, além de cultivo de forragens e armazenamento estratégico de água para os rebanhos.
Fonte: Assessoria de Comunicação da Cagepa
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