Estamos vivenciando um período de reflexão e chamo atenção do público em geral para estarem atentos sobre a Campanha da Fraternidade 2014 que tem como Tema:  “Fraternidade e Tráfico Humano e como Lema: “É para A Liberdade Que Cristo nos Libertou” (GL 5,1). Esta reflexão trazida pela Campanha da Fraternidade é iniciada sempre no tempo Litúrgico da Quaresma, mas que se estende ao ano todo. Diante deste espaço venho apresentar de forma objetiva a importância que este tema traz para o processo de reflexão consciente diante desta realidade que muitas vezes pensamos ser inexistente pelos grandes absurdos que acontece; os fatos de violência conta a dignidade da pessoa humana, especialmente de um universo de pessoas indefesas e ocultas nos diversos pontos do mundo e não dizer no Brasil. O tráfico humano é uma prática antiga; perpassa os tempos da escravidão, onde negros eram escravos e os senhores eram donos do patrimônio, detendo o poder e até da liberdade ou não das pessoas. Mas esta realidade se apresenta na atualidade com uma máscara. Mesmo com a aprovação dos direitos humanos e a Constituição Federal, acontece práticas que violam a dignidade da pessoa humana.

trafico humano O Tráfico do Trabalho, o tráfico de órgãos e a exploração sexual que assola o seio de famílias em risco de vulnerabilidade social; tirando do seu seio meninas e até meninos para serem explorados sexualmente, vivenciando práticas absurdas no mundo da prostituição, drogas e outras formas de exploração. O tráfico de pessoas segundo o Protocolo de Palermo “é o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou ao uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamento de benefício para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração”.  Para enfrentar o problema devemos estar atento neste primeiro momento  tomando conhecimento dessa situação que a liberdade, a dignidade e a felicidade de tantas pessoas que estão em risco, sendo um passo determinante para a denúncia. Neste contexto, a família, a comunidade, os educadores, agentes públicos, crianças, adolescentes e  a população em geral precisam conhecer e criar espaços, especialmente nas escolas para refletir e estudar esta realidade; porque esta questão é mais complexa vindo até acontecer nos espaços familiares, na escola e na rua, isto porque a violência é qualquer ato humano contra a pessoa, seja física ou psicológica. “Em um depoimento de uma monitora de escola ela falou que uma criança disse que agredia seu colega porque via em casa o seu pai agredir sua mãe”. Situação como esta precisa ser repensada e família e escola precisam estar em sintonia para que uma possa dar a mão a outra e assim formar um pacto pela liberdade de viver em uma realidade mais justa e humana; especialmente crianças e adolescentes.  Quanto ao tráfico de pessoas é uma atividade  que envergonha   a  nossa sociedade que assim diz viver  em pleno “momento de democracia”.

trabalho escravoiÉ um crime à dignidade da pessoa humana, já que explora o filho(a) de Deus, limita sua liberdade, despreza sua honra, agride seu amor próprio, ameaça e subestima sua vida, quer seja da mulher, da criança, do adolescente, do trabalhador(a) e enfim dos fragilizados por sua condição sócio econômica e ou por suas escolhas, tornando um alvo frágil  para ações criminosas do tráfico. Por outro lado, o tráfico de órgãos de doadores involuntários e ou doadores que vendem seus órgãos em circunstâncias eticamente questionáveis. Esta cena de crime requer um doador, um médico especializado e uma sala de operação. É uma ação tentadora aos olhos dos traficantes porque demanda lucro “fácil”. No contrapeso desta realidade o tráfico de pessoas  o mais comum é o aliciamento; quando pessoas são abordadas com uma oferta de trabalho irrecusável que lhe promete melhora de vida.. Enganada, a vítima é conduzida a um lugar distante onde é submetida a prática contra a sua vontade; e a mesma é impedida de retornar a sua origem, ou até mesmo de sair do local em que é explorada. Os aliciadores se camuflam recrutando pessoas para atividades como modelos, talentos, para o futebol, babás, enfermeiras, garçonetes, dançarinas ou para trabalhar como cortador de cana de açúcar, pedreiro entre outras atividades que se apresenta como engodo na vida destas pessoas. Neste quadro, no Estado do Pará temos depoimentos em 2012 de jovens de Santa Catarina aliciadas por rede de prostituição. Garotas eram mantidas em regime de cárcere privado. “O Conselho Tutelar de Altamira, no Pará, denuncia a existência de uma rede de tráfico humano no município. Pelo menos 12 jovens eram forçadas a se prostituir em uma boate localizada próxima às obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

trafico de adolecenteO conselho recebeu a  denúncia de um rapaz e uma adolescente que teriam fugidos da boate. Havia de 12 a 15 mulheres, entre elas, a adolescente. Elas vinham de Santa Catarina e eram levadas para essa boate em Altamira, onde eram forçadas a se prostituir. As jovens seriam aliciadas com a promessa de uma renda de R$ 14 mil por semana, mas, ao chegarem ao Pará eram mantidas em regime de cárcere privado, vigiadas por capangas armados. Elas ficavam trancadas em quartos sem ventilação e já chegavam devendo R$ 3 mil da passagem aérea, conta esta conselheira nesta reportagem. E não fiquemos pensamos que estes fatos ocorrem distantes de nossa região; porque aqui na Paraíba existe denúncias evidente do aliciamento de menores que são levadas para Itália com a finalidade de se prostituírem e render dinheiro para pessoas serem beneficiadas ao custo da exploração sexual. Frente a este tema, que cada um de nós possa contribuir direta ou indiretamente por esta causa em sua localidade e fazer valer o respeito pelo irmão, porque todos nós somos iguais, não temos o poder de explorar ou amedrontar ninguém, seja com ações palavras e ataques indiretos. A minha liberdade começa quando termina a sua. Portanto, ajudemos ao próximo, compartilhar é um grande desafio para quem vive sob a ótica  do amor; isto porque o “amor verdadeiro purifica toda a forma de indiferença e falsas justificativas diante do sofrimento do outro. Todos  são responsáveis pelo bem de todos, pois a liberdade oferecida em Cristo diz respeito à pessoa humana em todas suas dimensões: pessoal, social, espiritual e corpórea” e “nenhum homem tem o poder de olhar o outro de cima para baixo a não ser com a finalidade de levantá-lo, de erguê-lo e ou dar-lhe amparo e proteção e ensinar o caminho do bem”. Vejam diversas fotos desta realidade cruel.

Verluci

 

Texto: Raimunda Verluci