NESTE DIA PODEMOS INTERROGAR O QUE É TRABALHO E SE O TRABALHO ESCRAVO AINDA EXISTE EM NOSSO PAIS?

Diante do desenvolvimento da história da humanidade tem-se percebido e vivenciado as mais variadas formas de trabalho, desde o escravo e o assalariado, assim o homem tem carregado as mais diversificadas fases e neste processo sua ação sobre o mundo tem atingido e alcançado uma luta marcante por direitos que hoje tem melhorado sua vida, mas nos lugares mais distantes da população urbana pode-se constatar ainda formas de trabalho escravo, que deve ser denunciado e  conhecido por todos. Diante deste embate é preciso saber: Ora diz viver para trabalhar ou trabalhar para viver? Todos envolvidos neste processo deve estar atento e não fazer de seu viver um mundo marcado de exploração se sua mão de obra, porque o ser humano  deve acima de tudo ser conhecedor de seus direitos e fazer deste um caminho para dignificar sua vida e fazer do trabalho um meio e não um fim. O trabalho existiu, existe e sempre irá existir porque a organização da sociedade exige um sistema que realize tarefas que envolve o esforço físico e mental, com o objetivo de produzir bens e serviços para satisfazer as necessidades humanas. O trabalho na sua essência é efetuado em troca de um pagamento, constituindo a base da economia e envolve condições objetivas e subjetivas do ser humano, por isso, deve ser estruturado e seguir padrões, normas a serem seguidos por quem contrata e por quem é contratado. O trabalho neste contexto é realização de tarefas e deve ser em sua essência um ação decente, com qualidade do emprego, com sua remuneração justa e amparada pela lei trabalhista. Deve ser digno e não uma troca; como se fosse uma mercadoria num processo imediatista de compra e venda. Num sistema capitalista que vivemos é preciso estar atento as este tipo de relação, porque o trabalho deve ser compreendido como forma de garantir o bem viver de todos. Como as regras de trabalho são impostas pelos donos do capital os direitos trabalhistas existem, são disponibilizados no mercado de trabalho, são vivenciados em grandes empresas, em  estabelecimentos comerciais, mas é preciso evidenciar que em lugares distantes outras formas de trabalho existe; e são praticadas por grandes fazendeiros e donos do poder. A Lei Áurea em 1888 representou o fim do direito de propriedade de uma pessoa sobre a outra, colocando fim à possibilidade de permitir legalmente um escravo. Mas na realidade existe regiões no Brasil como Tocantins e o Nordeste, entre outras, que são ainda  fornecedoras de trabalhadores para atuarem em áreas com florestas que devem ser desmatadas para dar lugar a pastos e plantações com a finalidade de preparar a terra para a criação de gado, os considerados latifúndios. Nestas áreas são constatados vários trabalhadores que vivem sob regime de escravidão como diz Francisco José dos Santos Oliveira, Presidente da Associação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Prevenção do Trabalho Escravo em Monsenhor Gil, Piaui. Ele relata a seguinte história de um trabalhador braçal que diz: “Eu não sabia que era um escravo” e tudo começa com um chamado “gato”. Ele chega na cidade com boas promessas. Uma pessoa está passando necessidade e ele diz: “Rapaz, você não quer trabalhar lá no Pará? Lá o serviço é bom, você vai ganhar bem”. Aí a pessoa se anima, mas diz que não tem como ir. Ele fala que não tem problema, que o patrão paga adiantado, e dá o dinheiro para pagar a passagem e pra deixar com a família. Aí a pessoa se anima e vai. Chegando lá, a escravidão já começou. Quando vai acertar a primeira mensalidade com o patrão, este pergunta: “Qual dinheiro que você quer? . “O dinheiro do meu serviço. “E o patrão:“Não, você é que está me devendo. Não dei dinheiro pra sua  família, pra sua passagem, as ferramentas que você pegou pra trabalhar? Então,tudo isso está anotado num caderno e vai ser pago, com juro e tudo”.  Os alimentos que você compra a preço absurdo ajudam a endividar mais rápido e ainda, além disso, a água que se bebe é suja e é a mesma dos animais. Isso sem falar dos vigias que passam armados na sua frente. Não passava pela minha cabeça que eu estava sendo um escravo, porque pra mim escravidão já tinha acabado. Fiquei com medo, pensei que não ia mais ver minha família e voltar para a minha terra. Eu não tinha uma corda presa nos meus pés ou nas mãos, mas estava amarrado lá, pois não podia sair, não tinha contato com ninguém de fora, estava endividado e em má situação. Os trabalhadores sempre ajudavam que pelo menos um fugisse, para fazer a denúncia e libertar os outros e muitas vezes, aqueles que reclamam das condições ou tentam fugir são vítimas de surras, espancamento, e no limite da violência chegam a morrer. Esta denúncia está escrita na Revista Mundo Jovem de Maio de 2010, que em uma de suas reportagens aborda o assunto com mais detalhes do que significa este terror ainda instalado em nosso pais, que é um absurdo. Diante deste relato, podemos e devemos considerar que no Brasil ainda exista este tipo de trabalho e os meios de comunicação social precisam denunciar e despertar nas pessoas a curiosidade sobre estes fatos e que possam vir à tona e quem trabalha neste tipo de situação tenha a coragem de denunciar e colocar esta realidade em questionamento, porque pessoas que escravizam e mantém trabalhadores como reféns devem ser denunciados e punidos, ao contrário só poderemos estar rogando e pedindo a Deus, a sua justiça divina diante desta situação. Buscar a harmonia nas relações de trabalho é um fator determinante para o equilíbrio da vida em sociedade e o mundo atual não pode calar-se com este tipo de situação humilhante.Então comemora-se o dia do trabalhador, as homenagens são feitas, mas tem-se muito que refletir sobre a prática do trabalho escravo. Pode não ser visível no nosso dia a dia, mas em lugares por aí a fora esta realidade existe e é preciso trazermos à tona, para que a alienação não aconteça e que o dia do trabalhador seja um momento de reflexão, reivindicação e que as estruturas vigente possam criar possibilidades de mudanças e transformações quanto ao modo escravo de trabalho e sua exploração; e não se pode admitir convivermos com o trabalho escravo, que é desumano e fere a Constituição e é acima de tudo degradante e que viola a liberdade humana. Para todos os trabalhadores de nossa cidade nosso desejo é por melhores condições de trabalho, com salário digno e que as condições  estejam dentro da legalidade, atendendo seus anseios de uma vida digna, e que  este seja fonte geradora  do prazer e da transformação do ser com qualidade e direito ao mundo mais justo e humano.

Texto de Raimunda Verluci de Oliveira Sarmento ( verlucioliveira@gmail.com)

27/04/2015.